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Apenas 1% da população global tem 45% da riqueza

Desigualdade avança, mostra estudo. Nos EUA, milionários terão 70% da renda nacional em 2021

Os milionários são muito mais raros no resto do mundo do que nos Estados Unidos
Os milionários são muito mais raros no resto do mundo do que nos Estados Unidos
Foto: Pixabay

Em todo o mundo, o número de milionários e bilionários está crescendo. Apesar do crescimento mais lento da economia global, os ricos ficaram ainda mais ricos. São quase 18 milhões de famílias que possuem mais de US$ 1 milhão, segundo o último relatório do Boston Consulting Group (BCG). Os ricos representam apenas 1% da população mundial, mas detêm 45% da riqueza de US$ 166,5 trilhões do planeta. Segundo o BCG, até 2021, eles vão controlar mais da metade da riqueza mundial.

Para analistas, o crescimento da desigualdade não é uma surpresa na medida em que, nas últimas décadas, os ricos têm concentrado as maiores fatias de renda — especialmente nos Estados Unidos, onde os lucros das empresas atingiram recordes, enquanto os salários dos trabalhadores permanecem estagnados.

Pouca criação de nova riqueza

Hoje, há cerca de 7 milhões de americanos com mais de US$ 1 milhão, e o BCG espera que o número de milionários alcance os 10,4 milhões até 2021 nos Estados Unidos. Essa é uma taxa de crescimento anual de 8%, ou cerca de 670 mil novos milionários a cada ano.

Os milionários são muito mais raros no resto do mundo do que nos Estados Unidos, onde 5,7% das famílias possuem mais de US$ 1 milhão em ativos. Os únicos países com maior concentração de milionários são nações muito menores, como Bahrein, Liechtenstein e Suíça. A China tem o segundo maior número de ricos, com 2,1 milhões, embora sua população seja quatro vezes maior que a americana.

O aumento da renda para aqueles que fazem parte do 1% mais ricos nos Estados Unidos mais do que duplicou nos últimos 35 anos, depois de cair nas décadas após a Segunda Guerra Mundial, quando eles foram altamente tributados. A maré mudou na década de 1980, sob o regime do presidente republicano Ronald Reagan, uma década na qual os americanos viram os impostos caírem para os ricos, ao mesmo tempo em que a Bolsa de Valores batia recordes de alta. Agora, essas políticas ajudaram a colocar 63% da riqueza privada dos Estados Unidos nas mãos de milionários e bilionários do país, de acordo com o relatório do BCG. Em 2021, sua participação na riqueza da nação aumentará para cerca de 70%.

Globalmente, metade da nova riqueza vem dos ativos financeiros, a partir do aumento dos preços das ações ou rendimentos em títulos e depósitos bancários. O resto vem do que o BCG classifica como “nova criação de riqueza”, ou seja, de pessoas que economizam dinheiro que ganharam por meio do trabalho ou empreendedorismo.

Nos Estados Unidos, a “nova criação de riqueza” tem um peso bem menor e representou só 28% do aumento de renda do país em 2016. E o novo cenário político pode aumentar ainda mais o enriquecimento dos milionários americanos. Após as eleições de 2016, o rendimento das ações no país aumentou, uma vez que os investidores esperam que o presidente Donald Trump e um Congresso republicano adotem políticas de redução de impostos para empresas e para os cidadãos mais ricos do país.